quinta-feira, 8 de setembro de 2022

É SETEMBRO LÁ FORA



Olha lá fora.
Tem chuva no telhado,
Tem barulho de goteira batucando na lata,
E tem um sorriso que desponta pelo horizonte.
Olha lá fora.
Tem um setembro florido,
Tem flor no vestido,
E tem magia no fim de tarde.
Olha lá fora.
Tem gotas cristalinas,
De uma felicidade novinha,
E tem um sorriso louco para vestir teus lábios.
Olha lá fora,
mas olha sempre para dentro também.
Pois a primavera
sempre desponta quando menos se espera,
E em terra fértil,
Sempre brotam as mais belas flores.
Então, veste teu sorriso mais belo,

E vai curtir a chuva, sem medo de se molhar.


Marcio Rutes



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quinta-feira, 1 de setembro de 2022

SOMENTE MAIS UM NATAL

Image by Google

A correria era intensa. Pessoas amontoavam-se por todos os cantos, desesperadas e divergindo sobre o que quer que estivesse sendo discutido, olhado, comprado ou disputado. Anarquia. Caos. Véspera de Natal.

Era uma grande cidade, com todos os benefícios que ela trazia, mas também com todos os problemas e mazelas que qualquer metrópole possui. Todos poderiam ter quase tudo, desde que possuíssem formas e meios para comprar. Alguns ostentavam riquezas, posses que outros apenas sonhavam, enquanto um considerável número de pessoas invejava e desejava essas mesmas posses. As lojas estavam abarrotadas de clientes, e pela rua o que mais se via eram pacotes de presentes correndo de um lado para o outro, nas mãos dos apressados habitantes daquele lugar.

Num cantinho, um menino observava a tudo, acuado e temeroso. Seu nome? Cezar. Mas era o Tiquinho, apelido que ganhou nas ruas por ser mirrado, pequeno, um verdadeiro “tico” de gente. Tiquinho, como qualquer outro menino de rua, tinha sua história. E a dele era triste, por certo. Seus pais, que eram pessoas boas e bem de vida, sofreram um acidente há alguns anos, e morreram enquanto ele ainda era apenas um recém nascido. Órfão, sua tutela temporária foi dada a alguns parentes, mas o destino fez das suas, e esses tutores mostraram bem o que queriam: apenas seus bens. Ele, como único filho, era uma pequena mina de dinheiro fácil, e sem sequer conhecer a vida, na flor da idade terminou largado nas ruas e abandonado à própria sorte.

Aprendeu desde cedo a viver sozinho, a brigar para poder se alimentar e não morrer de frio nas madrugadas, ou a não ser vítima das violências urbanas. Roubava sim, mas para sustentar o corpo. Sequer sabia ler e escrever, e muito menos imaginava que possuía direitos como ser humano que era. Seus direitos, para ele, eram regidos pela lei, mas não a mesma lei que assiste a um cidadão comum. Tiquinho seguia a lei da sobrevivência. A lei das ruas.

Tiquinho tinha dois sonhos. Um deles, que acompanhava-o desde muito tempo, era o de ter um mundo amarelo. Sim, ele queria um mundo amarelo, da cor do sol nascente. O outro sonho? Saber se seus pais estavam realmente mortos. E se não estavam mortos, queria saber deles, se estavam bem e, ainda, se sentiam saudades dele. Não tinha ódio em seu coração, mas sentia-se só, abandonado. E uma das coisas que mais martirizava seu coração era justamente o fato de não entender essa condição de abandono que ele e tantos outros carregam.

Era engraçado reparar as pessoas falando desse “tal Natal”, ou do “tal Jesus Cristo”. Ele nem sabia dessas coisas, fosse Natal ou Jesus Cristo, e o único intento que o movia era o pensamento de que precisava se alimentar. Algumas latas de lixo, ao lado de um restaurante, eram seu alvo rotineiro, mas outros flagelados urbanos também miravam aquele “banquete”. Viu, então, que precisaria esperar, pois os outros eram maiores e mais fortes e ele, pequenino como era, possivelmente seria espancado e enxotado. Tratou de sentar e torcer para que algo restasse.

Via as pessoas passando ao seu lado, puxando crianças iguais a ele pelas mãos. Essas crianças pareciam estranhas, pois viviam sorrindo. Por que faziam isso? Será que elas tinham algo que ele não tinha? Porém, isso pouco importava. A tarde já chegava ao fim, e com isso, a fome apertava. Deitou em algumas folhas de papelão e fechou os olhos, esperando pela noite e pela chance de comer. E como fazia todas as noites, chorou.

Acordou assustado. Era tarde demais, já quase madrugada, e ele perdera a hora. Mas, quem sabe ainda existisse algo lá naqueles latões de lixo para comer? Correu e não viu mais ninguém, o que era um mau sinal. Nada. Tudo acabado.

Sentou-se ao meio-fio, triste e com fome, e sentiu uma amargura enorme. A noite passaria lentamente, ele sabia, e o estômago reclamaria em alto e bom som. Não sabia qual era a pior dor, se da fome ou da sensação de abandono. Uma dor mutila o corpo enquanto a outra dilacera a esperança. Afinou os ouvidos e escutou passos de alguém, o que fez com que ele se agitasse e pulasse rapidamente para se esconder. A rua ensina isso, a desconfiar de tudo.

Image by Google
―Tiquinho. ―alguém chamou. ―Sei que está aí! Vamos, menino. Eu vi você revirando o lixo. Deve estar com fome. Aparece.

Era seu Tião, o vigia do restaurante. Todos respeitavam muito aquele homem. Era austero, por certo, mas não era alguém ruim. A profissão exigia que ele mantivesse a ordem, e nem sempre tal fato era bem recebido por todos. Quando Tiquinho olhou o que o vigia trazia nas mãos, quase desmaiou. Era um grande e suculento sanduíche.

―Menino. Sei que está em algum canto! Vou deixar este sanduíche aqui no chão. Era meu jantar. Não tenho muito, mas sei que você precisa mais do que eu!

Seu Tião deixou o sanduíche por ali mesmo e se afastou. Mas ficou olhando, escondido. Não demorou para que o menino passasse por ali como uma flecha. Pegou o sanduíche e correu o que pode, e nem era por medo do vigia, mas sim de que algum outro habitante das ruas tomasse dele.

O menino sequer olhou para trás e parou perto de um parque. Uma árvore serviu de camuflagem e ele sentou, completamente arfante. Ao abrir a boca para comer, viu algo estranho. Era um homem, barbudo e muito sujo, sentado logo adiante. Tiquinho pensou em correr, mas ao invés disso, foi até aquele homem.

―Menino. To com fome. Me dá esse sanduíche?

Tiquinho era arredio, esguio e desconfiado, e escondeu o sanduíche rapidamente. Mas reparou noutra coisa. O homem estendeu as mãos, formando uma concha, e implorou por comida. As mãos dele estavam feridas, como se sangrassem. O menino não pensou muito. Jogou a comida nas mãos daquele mendigo e correu com medo. Só parou quando chegou novamente perto das lixeiras do restaurante.

E agora? A fome era terrível, e dificilmente seu Tião lhe daria outro sanduíche. Não havia mais ninguém por ali, e mesmo que alguém passasse naquele lugar, sequer pararia para escutá-lo ou alimentá-lo. Foi então que em seu desespero, notou um grande latão de lixo mais para o fim do beco. Foi até lá e o escalou com alguma dificuldade, e a única coisa que passava em sua mente era o desejo de que algum resto de comida existisse no fundo daquela lixeira. O cheiro era insuportável, o que fez com que uma tontura forte o tomasse. Seus olhos fixaram-se em algo branco, e quando sua mão estava para alcançar aquilo, ele escorregou definitivamente para dentro e por ali ficou, aparentemente desmaiado.

Seu Tião saia para a ronda no mesmo instante em que o menino caia para dentro do latão, e viu o que aconteceu. Correu até lá e, rapidamente, tentou retirar o menino, mas desanimou. Tomou sua pulsação e não sentiu nada, sequer um batimento.

―Menino de Deus. Que aconteceu? Vou ligar pra ambulância.

Passava pouco da meia-noite, e Tiquinho estava ali, morto exatamente na madrugada de Natal.

Uma luz branca se fez, e do meio dela, Tiquinho apareceu. Ele, sem entender o que estava acontecendo, caminhou lentamente. Seus olhos curiosos corriam por todos os cantos, como se buscassem elementos conhecidos, mas quanto mais ele andava, mais ele se dava conta de que aquilo tudo não era normal. Um pouco mais adiante, uma porta chamou sua atenção. Tudo naquele lugar era branco, mas aquela porta não. Ela era amarela. Tiquinho foi até ela e, sem medo, abriu de forma abrupta. O que viu ao passar pela porta quase o fez cair de costas.

Um campo enorme, a perder de vista, apareceu diante de seus olhos. E o melhor. Ele era totalmente amarelo, coberto por flores. Mas não eram quaisquer flores. Eram girassóis. O menino esqueceu o medo e a desconfiança e correu para dentro daquele campo. Ainda estava sem entender, mas algo o deixava igual àquelas crianças que vira no dia anterior. Ele estava sorrindo. A fome? Estranho, ele não sentia fome.

Ah! Aquilo era fantástico.

Correu tanto, e sequer canseira ele tinha. Correu mais, e mais, até que parou e se ajoelhou. Um casal jovem, um pouco mais adiante, o esperava. E ele sabia, tinha certeza, eram seus pais. Correu novamente. Não. Ele não correu. Ele voou. Sim, voou. Ele conseguia voar. Não sabia como, mas conseguia.

Eram eles sim. Era o cheiro deles. Era a energia deles. E ele os abraçou. Chorou, mas chorou tanto, que sequer conseguia olhá-los... até que sentiu sono. Lutou para não dormir, não queria, pois o que tanto desejou estava ali, diante dele. Então, por que o sono?

―Filho. ―a mulher falou ternamente. ―Ainda não é o seu momento. Você deve voltar. Um dia estaremos juntos. Nós te amamos. Agora vai.

E Tiquinho adormeceu de vez.

Alguns homens conversavam enquanto seu Tião esbravejava.

―Como vocês são desumanos! Coitado do menino! Só porque é um mendigo, vocês pensam que podem atender desse jeito? Se fosse o filho de um rico, vocês teriam chegado antes, com toda certeza.

Seu Tião reclamava com os atendentes da ambulância, que sequer queriam verificar se o menino morrera ou não. Estava transtornado. Alguns minutos depois, ainda muito irritado, foi até onde o corpo do menino estava, abaixando-se para fazer uma oração por ele. Ao se ajoelhar, tomou o maior susto. Do nada, Tiquinho abriu os olhos.

­―Onde eles estão? Cadê meus pais? Cadê o campo amarelo?

Ninguém entendeu nada. Para todos, o menino havia morrido, mas ele estava ali, acordado e fazendo perguntas totalmente desencontradas.

Alguns minutos foram necessários para que Tiquinho fosse examinado, isso depois que seu Tião exigiu, com toda sua autoridade, que os para-médicos o atendessem. Depois, com tudo já resolvido, seu Tião olhou para o menino e viu nos olhos dele algo diferente. Havia uma luz, amarela e radiante, que parecia brotar dali.

―Menino, você me deixou muito triste. Pensei que você tinha morrido bem ali, e justo hoje, na noite de Natal!

Seu Tião era um homem muito honesto e trabalhador. Morava com sua esposa, já de meia idade assim como ele, e mais ninguém. Quis o destino que sua esposa fosse infértil, e seu maior sonho era ter um filho. No entanto, a justiça sempre negou seus pedidos de adoção. Mas aquilo ia acabar, pensou ele. “Em alguns momentos, temos que agir como manda nosso coração!”, ele pensou. Após isso rebater em sua cabeça, ele se abaixou diante do menino e falou calmamente.

―Quer ser meu filho? Quer ir morar lá em casa? ―seu Tião falava e deixava uma pequena lágrima escorrer, dando mais força àquelas palavras. ―Vamos? Depois ajeitamos a papelada e o que for necessário.

O que aconteceu depois fez seu Tião chorar ainda mais. Tiquinho quase pulou em seus braços, e o abraçou fortemente.

Image by Google
Do outro lado da rua, um homem barbudo e todo maltrapilho estava parado, observando-os. Nas mãos, além de algumas feridas que sangravam, trazia também um sanduíche. Era somente um mendigo, claro, se não fosse o fato de que seus pés descalços não tocavam o chão. Eles flutuavam. Seu Tião olhou para aquele homem e pensou que era sua imaginação pregando alguma peça. Esfregou os olhos e balançou a cabeça, e quando olhou novamente para o outro lado da rua, não viu mais ninguém.

O tempo passou e Tiquinho, agora homem feito, já deu vários netos a seu Tião. Ele e a família vivem numa pequena chácara, onde plantam e colhem girassóis. Ganhou seu “mundo amarelo” e tem agora uma família. Seus pais? Ele sabe, tem certeza, de que um dia os re-encontrará. Se ele está feliz? Sim, por certo. Ele sabe que milagres acontecem sim, principalmente quando vamos além de apenas acreditar. Precisamos nos doar e fazer da bondade algo que comande nossos corações. Deus vive em cada um de nós, e Ele está só esperando uma chance para mostrar o quanto é possível realizar nossos sonhos. Por vezes sofremos, mas quando isto acontecer, que olhemos para o lado, pois sempre encontraremos pessoas sofrendo ainda mais.


Marcio Rutes


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domingo, 12 de fevereiro de 2017

ESTRADA, POEIRA E ALGUMAS OUTRAS COISAS


imagem do Google

O tempo e as coisas empoeiradas têm uma estreita simbiose. Talvez seja uma relação de cumplicidade entre aquilo que prezamos e, claro, o que nos pesa.

Algumas pessoas, no entanto, são enfadonhas. Leem algo e, por mera preguiça, sequer se dão ao trabalho de interpretar. O que me pesa não é aquilo que carrego por obrigação, e nem tanto é um peso morto e que me estressa ou castiga. Essas coisas já aprendi a largar pelo caminho. O que me pesa são, justamente, as coisas que eu prezo e que gosto de carregar comigo, porque são partes do meu quebra-cabeça e, invariavelmente, indispensáveis ao meu jeito de ser. Se esqueço de uma pecinha pelo caminho, fico incompleto.

Não sou “amarrado” no passado. Longe disso. Mas sou um alguém que quando gosta de algo, realmente gosta. A nostalgia, no entanto, não move meus dias. Ela é perene pelo fato de me fazer recordar momentos bons nas horas em que me sinto descompensado, e isso é algo que aprendemos e apreendemos como um jeito de blindar uma esperança já massacrada diante de todas as coisas ruins que tentam empurrar pela nossa garganta abaixo.

Gosto de um jeans rasgado. Mas, veja só. Eu já usava isso lá na década de 1980, quando a moda ainda nem existia. Minha jaqueta de couro tem, pelo menos, 20 anos de existência (sobrevivente), e muitas músicas que eu canto pelos cantos têm, pelo menos, 30 anos de gravação.

Mustangs anos 70, caminhonetes fabricadas nos idos de 1960 e motocicletas antigas. Sou fascinado por modelos clássicos quando o assunto é motor. E nada melhor do que pilotar um veículo assim nas ruelas de uma cidade antiga.

Gosto do silêncio vertiginoso das ruínas de cidades abandonadas. Para muitos, pode ser uma cidade-fantasma, mas para mim, é uma chance ímpar de pensar na vida e refletir nos erros que levaram a tal situação. Por que a cidade foi abandonada? Por que alguns vieram e muitos se foram? Um erro é algo passível de conserto, mas o abandono total...? Talvez seja até perversidade. E quantas vezes abandonamos algo ou alguém, não é? Só que sempre damos aquela famigerada desculpa de que todos devem aprender a voar pelas próprias asas. As vezes é até verdade, mas em alguns momentos, é por egoísmo mesmo.

A durabilidade dos móveis velhos e a beleza que eles carregam. A batalha contra os cupins e a resistência contra a futilidade dos mais novos. Madeira. E como ela parece atrair a poeira, não é? A compensação para ela, no entanto, vem da paixão verdadeira daqueles que deixam espelhar o brilho do olhar no lustro da madeira envernizada e tratada para durar, pelo menos, mais algumas décadas. Queria eu ter essa resistência e essa gana de me manter intacto diante do tempo. Difícil é vencer os malditos cupins da vida.

As pedras. Essas mereceriam um capítulo especial. Citei, certa vez, que a diferença entre um ser humano e uma pedra está, unicamente, na densidade. Poderíamos ser pedra se não fossemos tão densos. Imponência, beleza e rusticidade fazem das pedras um cilo de ensinamentos para qualquer um. E o que mais me encanta... elas sabem guardar o silêncio. Diamantes? Que nada. Pedra bonita é pedra que se tropeça nela.

Até agora, falei de objetos. Mas tem muito mais coisa que o pó guarda e faz se esconder de olhares desatentos. Quer coisa mais bela do que um amor "empoeirado"? E se você leu e não tentou interpretar o que eu disse, lá vai uma explicação.

Alguns amores permanecem lá no peito, guardados e esperando para extravasar no momento certo. Sabe o vinho? Ele fica lá na garrafa, ganhando consistência, cor e sabor. Muitos namoram a garrafa, tocam nela, mas não sabem beber, ou sequer tentam tirar a rolha. Até que chega alguém e, com paciência e sabedoria, abre a garrafa e saboreia como se deve, com paixão. Muitos amores são assim. Morrem com o corpo sem nunca terem sentido a verdadeira reciprocidade. O resultado disso é que eles se vão sem ter tido a chance de explodir verdadeiramente.

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Um amor desses, quando achado e despertado (e correspondido, claro) é como um desses vinhos raros. Você só provará uma vez, mas viverá dele até o fim, sem jamais esquecê-lo. Ele te aquece, te enternece, te torna eterno e, sempre, te atiça. Você se sente envolvido e plantado na densidade de seu sabor único. Mas, diferente do vinho, depois de aberto, ele não acaba, a não ser que você, num acidente ou numa besteira qualquer, derrame fora. Daí, meu amigo, não tem vinho nem amor que dure para sempre, não é?

Já me disseram que muitas coisas belas só são descobertas por olhos apaixonados. Depois disso, muitos olhares são atraídos, mas o brilho verdadeiro é dado pelo toque paciente e dedicado de quem sabe apreciar as nuances da natureza daquilo que se gosta e se quer para a jornada. Paciência é virtude nessa hora.

Por isso, lá no começo, eu falei que aquilo que me pesa não tem relação nenhuma com aquilo que me faz mal. Carrego porque quero e porque gosto. E gosto, sim, de coisas antigas e empoeiradas, e que muita gente sequer deu atenção antes de mim.

Não tem nada melhor do que juntar as tralhas que gostamos de carregar e pegar a estrada, ainda mais quando tem um amor e um bom vinho para acompanhar. Pó, esse a gente sopra pra longe.




Marcio Rutes



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