segunda-feira, 30 de maio de 2011

NEM SÓ DE WEB VIVE O HOMEM

Chocolate Laka / image by Google
Realmente, não vivemos só de internet, mas é nela que temos a chance de buscar muita coisa que ficou para trás, e que em décadas passadas, jamais teríamos acesso.

Meus dias têm sido muito atribulados, sem tempo sequer para respirar por vezes. Mas, como ninguém é de ferro, em alguns momentos tiro umas “horinhas” para repousar a cabeça. Num desses momentos, e fazendo uma seção nostalgia, garimpei duas preciosidades do meu passado.

Abaixo estão dois vídeos que mostram como as coisas boas passam e, se não cuidarmos, esquecemos rapidinho.

Martin Lawrence e Tim Robbins
image by ADORO CINEMA
Este primeiro vídeo mostra uma cena do filme NADA A PERDER (Nothing to Lose) lançado originalmente em 1997. Nele aparecem os atores Martim Lawrence e Tim Robbins numa das cenas que mais me fizeram rir. Desde que reencontrei este vídeo, assisto-o no mínimo 10 vezes por dia. A cena, além de hilária, mostra como os atores realmente incorporaram o papel, e se divertiram com ele. Sem contar a música, que casou perfeitamente com a cena.

Filme NOTHING TO LOSE / video by YouTube

Mais informações sobre o filme: ADORO CINEMA.

O segundo vídeo é um dos clássicos da publicidade brasileira, o comercial LAKA – ME DÁ UM BEIJO, de 1987. O interessante aqui, além do trabalho muito bem elaborado pela equipe publicitária, é o resgate de uma das pérolas (opinião minha) da música romântica internacional. Muitos pensam que a balada “Crying in the Rain” é do grupo A-HA, mas eles apenas re-gravaram a música (1991). Ela foi lançada originalmente pela dupla THE EVERLY BROTHERS, no ano de 1961.

Propaganda do chocolate LAKA / video by YouTube

Nos players abaixo, a versão completa das duas músicas apresentadas nos vídeos.



Scatman John - Scatman / by YouTube



The Everly Brothers - Crying in the Rain / by YouTube
(especialmente para ILY, com todo meu amor)



Para os curiosos ou saudosistas, uma foto da dupla The Everly Brothers:

image by Google


Marcio JR

segunda-feira, 23 de maio de 2011

AMOR ETERNO

image by Google
A manhã da sol se mostrava linda naquele jardim. Pássaros e abelhas voavam e mostravam a alegria de estarem ali, numa comunhão entre amor e natureza. Eu caminhava lento, ladeando aquelas flores tão bem cuidadas, e levava pelas mãos a minha amada companheira. Estávamos velhos, sem aquele vigor da juventude, mas andávamos ali, lado a lado naquele jardim. Construímos toda uma vida ali, e aprendemos que aquele jardim não teria sentido se não pudéssemos andar assim, um ao lado do outro.

image by Google
Eu olhava minha amada, seus doces olhos, seu sorriso. Nunca deixamos, em todos os nossos momentos, de nos beijarmos pela manhã e de refazer nossos votos de amor eterno. E o resultado de nosso amor estava ali, do outro lado daquelas flores: nossos filhos, nossos lindos filhos, cada um deles com seus filhos também. Nossa filha, tão bela quanto a mãe, e tão sapeca também, e nosso filho, homem forte, vigoroso, mas bondoso e sensível, chorão igual ao pai, eram nossas razões de viver. E os dois, iguais a nós, sempre apaixonados pela vida.

Minha amada caminhou para o outro lado, e ficou me esperando, tão serena, tão linda. Seu coração pulsava forte, me chamando, e eu, sempre apaixonado, fui até ela e a abracei, como fiz por anos sempre que algo me entristecia ou me alegrava, ou então quando estávamos próximos, só pelo gosto de estarmos juntos. E nunca, em dia algum, deixei de agradecer por tê-la encontrado, tê-la conhecido e por ela ter-me aceitado como sou. Tanto aprendemos juntos, choramos juntos, amamos juntos. E ensinamos tudo isso para nossos filhos, que ensinarão aos seus também.

Paraíso / image by Google
A perfeição nunca foi nosso objetivo, e nossos defeitos nos ajudaram a conhecer melhor um ao outro. Caminhamos, eu e ela, para o portão e paramos, num último olhar para nossos filhos. Choramos então, os dois, e os abençoamos. Eles sorriram, talvez pela pirraça que os pássaros faziam, mas sabíamos que aqueles sorrisos eram para nós. Não haveria adeus, apenas um “até breve”. E sorrimos também, seguindo nosso caminho para a vida eterna. Deus nos deu algo muito maior do que qualquer sentimento, e mesmo depois que deixamos esse mundo, que fizemos essa travessia que alguns temem, continuamos nos amando por toda a eternidade.

Marcio JR

sábado, 14 de maio de 2011

CHICO CONTENTE – MATUTO SIM, BURRO JAMAIS.

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Aquele final de manhã de sábado teria tudo para ser normal. Pleno outono, de um mês de abril lá na década de 30. O lugar? Piracicaba.

Algumas pessoas caminhavam tranquilas pela rua, e se cumprimentavam naquela prática muito mais gentil do que obrigatória, originária de uma educação que já não existe mais. Os homens tiravam seus chapéus em reverência, e as mulheres curvavam a cabeça, em agradecimento. Mais adiante, no armazém de seu Anésio, alguns fregueses faziam suas compras e aproveitavam para por as conversas em dia, mas não desgrudavam a atenção da estrada.

--Ixe! Lá vem o Chico Contente di novo, cum mais uma carroçada di galinha. Oh! Anésio, qui é qui esse porquêra tá puxano esses frangote a manhã toda, sô?

--Puis óie! Tumem tô c’os bicho carpintero atentado, homi! Vô dá um brado pr’ele vir ter uns dedo di prosa aqui.

E lá foi seu Anésio, cercar o Chico. O matuto, assim que viu o dono do armazém chamando-o, ordenou ao rapaz que o acompanhava a seguir na jornada, e desceu da carroça, ganhando o rumo do armazém. Ao entrar, foi para o balcão e cumprimentou a todos apenas com um gesto de cabeça.

--Chico, tudas as pessoa tão matutano aqui. --comentou o dono do armazém, enquanto servia uma dose de cachaça ao recém chegado. --U qui é tuda essa galinhada qui ocê tá puxano a manhã interinha, hómi?

O Chico virou o rosto de lado e deu uma cuspidela no chão, quase acertando o pé de outra pessoa que estava ao seu lado. A pessoa, por sua vez, deu um pequeno salto, chegando mais para o lado. E o Chico, ao se voltar para o outro lado, apenas mirou o chão e fez menção de repetir o gesto, mas não foi necessário terminá-lo, pois aquele que estava ali tratou de se afastar imediatamente.

image by Google
--Puis, óie. Pareceu lá nu sítio, um ingomadinho lá das banda de Itú, cuma proposta vantajosa pur dí mais. Metade da minha tropa di mula por uma baita popriedade di terra, coisa di virá a cabeça di quarqué um.

--Eita! --seu Anésio se interessou no assunto, mas se mostrou preocupado. --Conta miór isso daí, qui to achano qui tem arapuca nissu tudo. Ondi qui é essa tar popriedade, sô? É nos arredor nosso daqui di Piracicaba?

--Mais, seu Anésio, num é qui num é? É um lote prás banda do céu! --Chico arrematou de forma tranquila. --Um baita terrenão, cum iscritura i tudo. I o abestado do moço inda levô minhas pior mula.

Todos os que estavam no armazém ficaram estarrecidos. Mas, foi seu Anésio quem ficou mais irritado com o que ouviu.

--Chico, seu burro! Cumé qui vóis micê mi entra numa lorota dessas, hómi? Num tá vêno qui isso é tramóia? Esses larápio vêm aqui i passa a perna ni nóis, i adespois sai pur aí ispaiano qui nóis é tapado i burro, i tudo acurpado são ocêis, qui si apinxam no conto do vigário. Será qui só eu qui tenho miolo nesses arredor? Pur pura sorte, meu pai mi insino a se isperto i eu passo isso pru meu fio, que virô sitiante dos bão.

--Carma, seu Anésio. --um dos clientes falou ao comerciante, como se desconfiasse que ainda havia mais coisa a ser contada. --Dexa o Chico caba a história, ara!

--Dexo, nada! --seu Anésio continuou em sua irritação. --Esse daí é pur dimais gaiato, mais é burro inguar as mula dele. Mais vá, trimina logo essa história, qui adespois, vô lá contá pru meu pai a ingomada qui ti déro. I tem mais. Quí é qui essas galinha tem cum tudo isso?

--Bão. --Chico coçou o queixo e tomou um gole de sua cachaça, estendendo o copo como se pedisse mais uma dose. --Matutei qui matutei, i achei qui aquilo tudo era muita terra pra ieu suzinho, i vindi a metade. Cumo pagamento, aceitei essas quinhentas galinha, qui vale muito mais du qui aquelas déiz mula véia que gastei no negócio.

mula / image by Google
--Mais ieu to falano! --seu Anésio bufava, ainda mais irritado. --Ocêis num vale o ar qui arrespira. Seus asno. Será qui só vai restá ieu i minha famía cum miolo pur aqui? Quem foi o miolo móle qui vóis micê inrolo nessa presepada?

--Óia. --completamente calmo, Chico se despediu de todos com um aceno de cabeça e foi na direção da porta. De lá, olhou para trás e encarou seu Anésio diretamente nos olhos. --A metadi ieu vendi pro Quinzinho, vosso fio, na troca das galinha. Mais dona Matirde, vossa mãe, já mando mi avisá qui o cumpadi Heitor, vosso pai, tá mi percurano prá módi nóis negociá o restante. Mi parece qui ele qué investi num miarar celeste, i já qué mi incomenda inté as semente. Quem sabi, nóis num negoceia as mula qui mi restô prá puxá a safra celeste tumem?



Marcio JR