![]() |
| image by Google |
Tal fato deve-se a uma pane generalizada em meu notebook. Ele, por "incertezas existenciais", bancou o safado e resolveu se rebelar, apagando-se para o mundo. Mas tudo bem, pois não há nada que um bom técnico não resolva.
Não sou dado a utilizar equipamentos emprestados, portanto, minha presença no mundo virtual será mínima por esses dias.
Só me ressinto dos arquivos que estão presos lá, com o desnaturado notebook. Muito do meu passado está lá, em seu disco-rígido.
E já que falei em arquivos e registros, que tal falarmos um "cadim" sobre passado?
**********************
RETALHOS DE CETIM
![]() |
| image by Google |
Certas pessoas têm o péssimo hábito de referendar tudo no passado. Se estão bem, é porque plantaram boas sementes, o que é bem provável. Mas se algo vai mal, vivem fuçando canto no que está lá atrás, procurando alguma coisa ou algum evento para descarregar a culpa da situação presente. Essas pessoas não são capazes (ou não querem) de admitir que, muito mais do que arranjar culpados, precisam sanear a situação de forma imediata e preventiva, para que mais adiante, tal coisa não torne a acontecer. Querem única e exclusivamente arranjar algo ou alguém em quem descarregar as premissas de erros que elas próprias podem ter iniciado. É ainda pior quando essas pessoas nada tem com relação à situação, mas mesmo assim vão lá, remexer o que está quieto e enterrado. Ou são masoquistas procurando alguma coisa para sofrer até pelo que não lhes diz respeito, ou são sádicos tentando fazer alguém relembrar o que já esqueceu.
O passado tem muita coisa boa guardada e que vale a pena ser lembrada. A saudade é algo que anda conosco sempre, e se sentimos saudades de algo, é porque tal coisa foi boa. Não sentimos saudades daquilo que não nos apeteceu ou de algo que nos fez mal. Desde o gosto daquele vinho, das notas daquela bela música, do suave sabor de um beijo, do cachorro que se foi, do vento morno na orla marinha, do gibi que líamos nas tardes de chuva enquanto crianças, das traquinagens de um fim de manhã enquanto voltávamos da escola, do friozinho da geada (somente para quem gosta), das viagens feitas nas férias, das noites de farra enquanto adolescentes, dos amores, das dores do parto (algumas mulheres gostam, enquanto outras...), do primeiro sorriso do filho, do filho dizendo “mã-mãe – pa-pai”, e também do... Deus do céu, tem tanta coisa boa pra ser lembrada, vista e re-vista, que fico abismado quando alguém só busca fatos ruins no passado.
Mesmo que a música RETALHOS DE CETIM (Benito Di Paula) tenha marcado uma passagem um tanto triste em minha vida, guardo esse momento com certo carinho. Foi um marco, um instante em que parei e fiz um balanço sobre tudo o que acontecia e o que viria, e posso garantir que a perspectiva não era nada boa ou motivadora. Difícil não é achar culpados, mas sim assumir quando a culpa é sua e, ainda mais, fazer algo para que aquilo tudo se modifique de tal forma a não ferir mais ninguém além daqueles que já estão machucados. Precisei fazer e fiz. Hoje, ao relembrar dessa passagem, não sinto remorso ou culpa, mas sim orgulho das atitudes que me foram tão complexas e necessárias naquela época.
O passado é um vento que sopra por nossas costas, sussurrando em nossos ouvidos tanto a aragem tranqüila e quente de um passado que nos alegrou, quanto o minuano que gela o pescoço e arrepia a alma, trazendo as dores que existiram e que devem ser lembradas com sabedoria e sensatez. Não é preciso esquecer o que foi ruim ou aquilo que prejudicou de alguma forma a nós ou a alguém próximo, mas há que se saber manter isso num lugar em que não volte a atingir mais ninguém. Passado é passado, e ele tanto pode ajudar a melhorar o presente quanto destruir os sonhos futuros. Alimentar agonias e dramas não é salutar, pois o que vale é ser feliz. Para tanto, se o seu passado não tem momentos felizes para relembrar, comece a criar esses momentos agora para relembrar depois. O tempo passa rápido, não é?
Retalhos de Cetim (Benito Di Paula) - by YouTube
MarcioJR




