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Não da palavra, mas sim da letra que te compõe.
Foi escrita como uma melodia, como uma cantiga de acordar, como versos de embalar a alma
e acalentar a saudade.
É assim que Deus te compôs, rimada com o vento em uma escala sempre de um sol maior.
Os acordes da canção dançam por teu corpo, te escorrem livremente da boca para as mãos, encaixando-se não nos ouvidos de quem te escuta, mas diretamente na vereda que se abre nos olhos. O concerto é dado pela orquestra de cordas afinadas, todas raiadas por teus cabelos soltos.
O solo, sustenido pelo vocal alerta de um passarinho, faz dueto perfeito em teu colo reconfortante.
Então, um tanto adiante, que se adiante a fala, aquela minha, em uma súplica de um bis. Sonoro, retalho meu pedido, aplaudo, saúdo, e concluo entre arrebatado e encantado:
tua letra, a da tua vida, é uma trilha ainda inacabada, lançada ao tempo e sendo escrita em capela, aquela mesma que se encaixa com a nota mais bela, essa mesma que sempre me vem nas lembranças, quando da janela me invade a saudade.
Te concluir, jamais.
Teu show apenas começou, e a música mais graciosa ainda está por ser escrita.
Marcio Rutes

