segunda-feira, 11 de abril de 2011

TRAVESSURAS DA LOIRINHA: DOMINGO, FUTEBOL, SELEÇÃO...

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O ano era o de 2010, e na escola, a folia de sempre estava pior. Era o dia seguinte à derrota do Brasil para a Holanda na Copa da África do Sul. E já que futebol era a coqueluche do momento, a professora, mulher miudinha e muito nova, mas muito perspicaz, chamou as crianças ao quadro negro e lhes passou a seguinte questão.

--Quero que vocês escrevam no quadro, qualquer coisa que tenham aprendido com essa derrota do Brasil. Primeiro você, Pedrinho. --pediu a professora, toda delicada.

Uma a uma, as crianças foram até o quadro negro, mas a professora não desgrudava os olhos da loirinha. Ela estava estranhamente calma, e parecia compenetrada, o que também acalmou a professora.

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Algum tempo depois, a loirinha estava no quadro, escrevendo. A professora, que se descuidara dela para verificar alguns papéis, notou um zum-zum-zum na classe e levantou a cabeça. Viu que a maioria das crianças ria de forma nada contida, e olhavam diretamente para a loirinha. A professora se voltou para o quadro negro e, ao ver o que estava escrito, quase caiu de costas, enrubescendo imediatamente.

--Menina, o que são essas coisas que você escreveu? Deus do céu, pare com isso já! --a professora ordenou, esquecendo a delicadeza de antes.

--Ora, fessora! --a loirinha deu de ombros, com a maior cara-de-pau. --A senhora não pediu para escrever algo que aprendemos com a derrota do Brasil? Pois é, aprendi esse monte de palavrões novos vendo meu pai assistir ao jogo.

Marcio JR

A ROSA MALDITA

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Nada como crimes bárbaros para que os jornais da cidade entrassem em polvorosa. Investigavam tudo, alardeavam inverdades, traçavam perfis absurdos de um provável criminoso, enfim, vendiam jornais. E não era para menos. Num espaço de apenas um ano, seis mulheres, sempre jovens entre dezoito e vinte anos, haviam sido assassinadas de uma forma cruel. Todas elas, depois de muito apanhar, tinham suas gargantas cortadas e os olhos arrancados. E como na assinatura de um psicopata, um botão de rosa vermelha era deixado sobre o cadáver.

Alexandra conhecera Nelly em uma festa, a coisa de três meses. Jovens, na casa dos vinte anos, tinham uma vida social muito ativa, e numa dada festa, resolveram esticar a noite um pouco mais, o que talvez acabou por selar o destino das duas. Alexandra era uma moça miúda e de traços singelos, mas muito bonita, enquanto Nelly era, com exceção da beleza, completamente o oposto. Alta, corpo atlético e personalidade forte a marcavam, e espantavam um pouco os rapazes, mas ela compensava isso com a ajuda da amiga. E a noite correu, até que as duas se deram conta de que haviam perdido todo e qualquer meio de ir para casa. Ali não poderiam ficar, e sequer conheciam alguém nos arredores. O que restava, a essa altura, era caminhar.

A rua, escura em seu jeito normal, estava ainda pior. Um vento forte arqueava as árvores e uivava pelas cercas. As nuvens grossas e cinzentas, que cobriam a lua, davam um ar sinistro ao lugar, como se engrossassem o ar que elas respiravam e as fazia aumentar o ritmo dos passos. As duas, assustadas, chegaram bem próximas e se agarraram uma a outra, tentando assim se proteger de algo que não viam. E cada folha que o vento levantava do chão era um motivo para arfarem e apressarem ainda mais o passo.

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Mais adiante, um grupo de árvores soltava seus galhos sobre a rua e praticamente enegrecia o lugar. Um verdadeiro breu aos olhos. Sem opção, deram passos desconfiados na direção daquele lugar, mas pararam assim que ouviram algo, que pensaram ser passos rápidos e que vinham na direção delas. Olharam para trás e viram alguém correndo e carregando algo nas mãos, como um bastão. O desespero as tomou e mergulharam para dentro da escuridão. Nelly, sem se esperar, tropeçou e soltou-se da amiga, que acabou por desaparecer naquele véu negro. Gritos. Nelly parou e firmou os ouvidos. Pensou em chamar, mas assim denunciaria sua posição.

Momentos de tensão tomaram a jovem. Ela rodava desesperada nos calcanhares tentando achar, ao menos, uma saída daquele lugar, até que algo quente passou por seu pescoço, como um sopro vindo da respiração de alguém arfante e cansado. Ela se abaixou e procurou por alguma coisa no chão, uma pedra ou qualquer outro objeto para se defender, e se estarreceu ao ouvir um berro estridente de alguém chamando seu nome. Mas logo calou. Era Alexandra. Pobre Alexandra. E sem alternativa, Nelly escolheu uma direção para correr, mas bateu de frente com alguma coisa que parecia ser uma pessoa. Seu braço foi segurado com força, o que a fez se contorcer para poder se livrar do que a segurava e correu para o outro lado. Correu rápido, até não poder mais, e avistou a pouca luminosidade do final daquele bosque, mas foi segura novamente e não teve mais como se livrar. Relaxou o corpo e se entregou, já sem forças. Estava em pé, presa pelo braço e iria morrer, sabia disso, assim como sabia que lutar era impossível, mas queria ver a face daquele que seria seu algoz. Voltou-se rápido e, para sua surpresa, o que viu foi o quepe de um policial, iluminado pela luz de uma lanterna que estava nas mãos de Alexandra.

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Mais calmas, descobriram que os policiais estavam ali justamente para prevenir a ação do psicopata. Eles as chamaram, mas elas pouco ouviram, fosse pela pressa ou pelo medo. A rua estava quase no final, e elas, mais confiantes pela presença daqueles homens, resolveram continuar em seu caminho sozinhas. Aproximaram-se novamente, até se engatarem pelos braços e partiram. Alguns metros depois, já fora da visão dos policiais, as duas riam para tentar espantar um pouco o pavor que haviam passado. Alexandra, mais baixa e mais calma que Nelly, subiu seu braço até as costas da amiga, para confortá-la. Ao apoiar a mão ali, deixou a mostra um botão de rosa vermelha, que trazia entre os dedos.

E, de repente, um novo grito de horror se ouviu na madrugada.


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Mais uma vez, estarei um pouco ausente aqui do Abismo, pois a correria da semana será grande. Além deste pequeno conto de terror acima, aquela peste, digo, aquela "meiga" loirinha também aparecerá por aqui, para fazer companhia a vocês.

Para aqueles que gostaram da entrevista com a Fernanda, lá no ARENA, no dia 14/04 tem o Cacá, do Blog Uai, Mundo?, num papo descontraido sobre cultura e blogosfera.

E aqueles que quiserem saber um pouquinho mais sobre as profecias Maias que "pregam" o fim do mundo em 2012, deixei também uma crônica/artigo lá pelas bandas do ARENA DAS CRÔNICAS.

Abraços e uma boa semana a todos.

Marcio JR

domingo, 10 de abril de 2011

TRAVESSURAS DA LOIRINHA: CUIDADO COM O QUE FALA.

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Sábado ensolarado, manhã correndo lenta e um suco de maracujá dando o gosto do momento. Que dia perfeito. O marido saíra para as compras e só voltaria para o almoço, o serviço todo em dia, e a empregada cuidando dos demais afazeres. Para completar, a filha brincando em algum canto, quieta. Que paz merecida ela tinha naquele momento. A filha brincando quieta? Algo estava errado, e muito.

--Manhêêêêêê!!!!!!! --a loirinha gritou, em tom de desespero. --Socorro, ela é louca!

Paz e sossego? Talvez na próxima encarnação. A mãe levantou de onde estava e seguiu a direção dos gritos, até parar na cozinha. Lá, um verdadeiro alvoroço. O cachorro latia de forma insistente e se escondia atrás da geladeira, enquanto a loirinha dava voltas em torno da mesa e, ao que parecia, carregava um repolho inteiro nos braços. Atrás dela, a empregada esbravejava, suando e tentando segurar a menina.

--Volta aqui, menina. Devolve esse repolho!


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--As duas, parem já com isso! --a mãe gritou, em alto e bom som. --Alguém pode, por favor, me explicar o que está acontecendo?

As duas pararam a correria e se olharam, quietas. Repentinamente, desatrelaram a falar ao mesmo tempo e tornaram a correr em torno da mesa, o que obrigou a mãe a soltar outro grito. A loirinha parou e fez cara de desânimo ao ver a mãe fitá-la diretamente nos olhos, censurando-a de forma calada.

--Ah! Mamãe! A culpada é a Cajuína. Ela quase comete um assassinato.

--Meu nome não é Cajuína, menina. É Gerosina. Ôxe!

A mãe, sem entender, ficou estarrecida. Abriu a boca mas, como conhecia bem a filha, se preparou para ouvir algo inusitado.

--Tá bom, mocinha! Explique-me isso. --a mãe respirou profundamente e soltou os ombros.

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--Ela queria matar meu irmãozinho. --a loirinha falou, abraçando o repolho de forma carinhosa.

--O que? De onde você tirou essa idéia maluca, minha filha?

--Ué... --a menina deu de ombros, mostrando aquele olhar cínico que lhe era peculiar. --Perguntei ao papai de onde vinham os bebês. A menina vem do pé de alface, e o menino nasce no repolho.

--Eu mereço! --a mãe comentou, desanimada. --Filha curiosa com pai abestado, dá nisso!

Marcio JR