Vou fazer amor com meu amor de manhãzinha
pra atiçar o sol e fazer balancê na neblina.
Vou fazer amor com meu amor de manhãzinha
de beijo em beijo, de besouro chateando beija-flor.
Secar a dor, se molhar de suor,
e o que de melhor,
se é que tem, e é de nós,
nem teus laços,
vou é arrancar da pequena calça o cós,
sapatear de fininho,
pra beijar teu ombro naquela batida do sino,
hino ao ninho, nesse gemido contínuo.
Vou fazer amor com meu amor na noitinha,
derramar todo o tesão com nossa leveza,
te chamar pra daneza,
sem certeza de acordar na hora certa,
hora precisa de acordar,
despertar sem destino,
só sonhar,
lavanda que nasce entre os girassóis,
luas e sóis, a sós,
somos nós,
amar,
remar um caminho entre o mar,
salgar a pele, mesmo que se adoce o café
derramado pelo vão dos lábios, assim, ajeitar,
arrumar a face, escovar o cabelo,
corpo nú feito lã fora do novelo.
Então se apela para a pele ouriçar o pelo
e desligar o pudor,
pra fazer amor a qualquer hora com meu amor.
Depois, lá pelo meio da tarde, a gente canta aquela música:
"To com saudades de você,
debaixo do meu cobertor..."
Marcio Rutes
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