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Antes da crônica, peço desculpas aos amigos pela minha ausência. Por motivos de saúde, fui obrigado a me afastar temporariamente de minha rotina, principalmente dos computadores. Mas, mesmo contra ordens médicas, é complicado manter distância deste vício que se chama “web”.
Ainda ficarei um tempinho de molho, mas, aos poucos, vou retornar aos meus velhos hábitos.
Quero deixar um agradecimento especial para todas as pessoas que me mandaram e-mails durante esse período de afastamento. Com o tempo, responderei a todos eles.
Abraços.
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QUANDO SÓ SE VÊ O QUE SE QUER VER
O vídeo acima é importante para a perfeita compreensão da linha de raciocínio desta crônica. Portanto, se você ainda não assistiu, dedique 2:25 minutos. Vale a pena.
Não sou um admirador do boxe ou dos esportes de contato violentos, eu admito, mas, como meu filho é praticante de “Chute Boxe”, passei a ter certo interesse. O fato é que, num dia qualquer, ele me enviou o vídeo que ilustra o texto, e algo me despertou uma centelha de curiosidade.
A produção, muito bem feita, é assinada pela HBO, e conta a trajetória de um personagem que tenta, a todo custo, se tornar um lutador de boxe. É uma história de superação até certo ponto normal, afinal, a resiliência é um dom inerente ao ser humano. Caímos e levantamos, caímos novamente e tornamos a levantar. Várias pessoas passam por isso todos os dias.
No vídeo em questão, existe ainda a referência ao racismo e discriminação social, principalmente na cena em que o personagem está no metrô, e todos os que estão próximos se recusam a sentar ao lado dele. Um fato comum não apenas nos Estados Unidos, mas já bastante clichê nas produções televisivas norte-americanas. Nada, no entanto, que desmereça o esmero no resultado final do vídeo.
Durante o desenrolar das cenas, o personagem arrecada dinheiro de todas as formas para atingir seu objetivo principal, o de frequentar uma academia de boxe. Esmolou, aceitou subempregos, vendeu o pouco que tinha, praticou “luta de rua”, exerceu sua fé, ou seja, se deixou levar pela determinação de superação. E conseguiu.
Você deve estar se perguntando: E O QUE ISSO TEM DE TÃO IMPORTANTE, A PONTO DE VIRAR CRÔNICA?
Eu respondo. Adoro o estudo do comportamento humano, e quando recebi o vídeo, mostrei a um amigo, que adora boxe. Esperava que ele elogiasse a qualidade da produção, ou a determinação do personagem principal, mas não foi bem assim. O que esse amigo comentou me deixou com a pulga atrás da orelha. Mandei o vídeo para mais três pessoas, e ouvi deles a mesma coisa.
Diante de tudo o que eles viram nos 2:25 minutos de duração da gravação, o único fato que eles realmente prestaram atenção foi que, aos 22 segundos, numa mercearia, o personagem “rouba” um sabonete. E o restante? Não valeu de nada?
Definitivamente, o ser humano só enxerga aquilo que quer ver. E diante disso tudo, me pergunto se isso acontece apenas naquilo que é visto na TV, em tom fictício, ou se essas pessoas deixam passar, também, as coisas importantes e reais do dia-a-dia, como as falcatruas, malandragens políticas ou outras encenações ridículas que armam apenas para desviar a atenção do povo.
Por vezes, até penso que alguns, ou muitos, preferem fechar os olhos para tudo o que acontece em seu entorno. Vivem assim, sem se preocupar com nada. No entanto, vez ou outra, reclamam de tudo sem ter o mínimo cuidado se sabem do que estão falando ou não... e haja paciência para aguentá-los.
MarcioJR








