Os pés, cansados,
hoje repousam no poço da derrota.
Ao contrário do que muitos pensam,
esse poço tem fundo sim,
e nele, estão milhões de almas amarguradas,
uma delas, esgotada, a minha.
A descrença nas forças da vida,
é a pior conselheira.
Ela corrói todo e qualquer sentimento,
por menor que seja,
e que reste num coração.
Ela cega os olhos e amarga o espírito,
tira a cor do mundo,
e enterra a esperança de felicidade.
O caminho é duro,
os joelhos, já esfolados,
não conseguem mais ir ao chão.
Mas, para que, se não há mais o que pedir!?!?
A humilhação de ser um derrotado,
deixa de ser importante diante da dor do desprezo.
Nunca havia entendido aquela frase,
“Carregando um cemitério na cabeça”,
mas hoje a compreendo.
Fantasmas, muitos, me assombram.
E neste cemitério, estou prestes a me enterrar.
Mas esse não sou eu, não quero morrer amargurado.
Escolho viver, escolho sorrir,
e o farei.
Sou maior que esse poço profundo,
onde estou afundado.
E aquela palavra, a que tanto repudio, ódio,
jamais fará parte de meu vocabulário.
Sigo, por enquanto triste,
de cabeça baixa e mirando os pés novamente,
mas prossigo na minha jornada.
Hei de perder cada gota de meu sangue,
