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Mesmo em férias, não posso deixar de relatar um feito que eu e dois amigos conseguimos numa pescaria. Peço desculpas também pela ausência nos blogs parceiros, mas logo retorno ao meu rítmo normal.
Um grande abraço a todos.
Uma das coisas mais difíceis de fazer é você tentar acreditar nos exageros que os pescadores utilizam ao comentar as “façanhas” que realizam.
Janeiro é sinônimo de férias, mas sem pescaria, é como se faltasse alguma coisa para ficar completo. Foi então que, no dia dois de janeiro, recebi um convite irrecusável. Pescar numa das chácaras mais belas e disputadas da região metropolitana de Curitiba. Seu Vitório e Dona Nena, descendentes de italianos, são conhecidos pela famosa polenta com marreco, e atraem turistas de todos os cantos. O vinho, feito artesanalmente, é uma perdição, e o trato acolhedor faz qualquer um ter vontade de não sair mais do lugar. Para completar a tela, um rio ladeia toda a propriedade, o que a transforma praticamente numa ilha, e os peixes representam a fartura do lugar.
Equipamento de pesca no carro, repelente e protetor solar na mochila, e começaram os exageros. Meus companheiros de pesca, um farmacêutico e um construtor, são pessoas acima de qualquer suspeita em seus respectivos campos profissionais, mas quando se trata de peixe, a coisa é bem diferente. Eles juraram de pés juntos que já tinham conseguido a façanha de pescar, nesse mesmo lugar descrito acima, mas de 300 lambaris em menos de 15 minutos. Não contentes com a mentira inicial, ainda aumentaram, dizendo que cada um deles havia pescado essa cota de 300. Duvidei, e pedi alguma prova disso, e foi onde a mentira ficou insustentável. Os peixes, num passe de mágica, desapareciam do samburá, o que impedia que a pescaria fosse comprovada.
A cara-de-pau dos dois foi tão grande, que o farmacêutico, descendente de japoneses, sorriu e soltou a seguinte pérola: “sei não, mas acho que os lambaris foram abduzidos por algum extraterrestre”.
Para encurtar a história e as mentiras que tive que engolir pelo percurso, chegamos à chácara e fomos quase imediatamente para a pescaria. Iscas prontas, anzóis na água, e uma constatação. A mentira não era tão exagerada assim. A quantidade de peixes era tão grande, que abandonei dois dos caniços que tinha armado e fiquei apenas com um, pois era impossível atender aos três, tamanha era a quantidade de peixes. Logicamente, aquele número de “300 peixes em 15 minutos” era um exagero, mas eu já estava quase perdoando as mentiras daqueles dois. Não demorou muito, e veio a segunda constatação. O sumiço dos peixes também era verdadeiro.
Do nada, meu samburá, que já estava com uns 35 ou 40 peixes, esvaziou. Furado talvez, ou quem sabe a malha era muito graúda e os peixes passavam através dela? Àquela altura, já não existia mais mentira, mas sim a minha irritação pelo fato de perder todos aqueles peixes. Foi quando algo me chamou a atenção. Um pouco mais adiante, entre algumas moitas, o capim se mexia freneticamente, e alguns barulhos começaram a se tornar mais intensos. Fui até lá e, meio de longe, tive uma grata surpresa. Um casal de lontras, com três filhotes, fazia a farra com meus peixes. Elas eram tão acostumadas com os pescadores, que nem ligaram para minha presença, e quando acabavam de comer o que tinham carregado para os filhotes, iam até o samburá e, com exímia habilidade, saíam com mais uma bocada de lambaris. Mas, se eu conto essa história para alguém, iriam me chamar de pescador mentiroso, e foi quando a maravilha da tecnologia moderna me salvou. A câmera do celular. Foram 10 minutos da mais bela filmagem, e a prova definitiva de que os pescadores podem até aumentar, mas não mentem.
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Só vai demorar um pouco para que eu possa colocar as imagens do vídeo aqui no blog. No meio da euforia entre a pescaria e as lontras, uma nuvem de mosquitos enormes nos atacou e me descuidei com o celular. Quando me dei conta, os mosquitos haviam levado com eles o meu celular. Uma pena. Mas dou minha palavra de que não tem exagero nessa história.
Marcio JR

