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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

FÉRIAS (E ALGUMAS MENTIRAS DE PESCADOR)

image by Google
Mesmo em férias, não posso deixar de relatar um feito que eu e dois amigos conseguimos numa pescaria. Peço desculpas também pela ausência nos blogs parceiros, mas logo retorno ao meu rítmo normal.
Um grande abraço a todos.


Uma das coisas mais difíceis de fazer é você tentar acreditar nos exageros que os pescadores utilizam ao comentar as “façanhas” que realizam.

Janeiro é sinônimo de férias, mas sem pescaria, é como se faltasse alguma coisa para ficar completo. Foi então que, no dia dois de janeiro, recebi um convite irrecusável. Pescar numa das chácaras mais belas e disputadas da região metropolitana de Curitiba. Seu Vitório e Dona Nena, descendentes de italianos, são conhecidos pela famosa polenta com marreco, e atraem turistas de todos os cantos. O vinho, feito artesanalmente, é uma perdição, e o trato acolhedor faz qualquer um ter vontade de não sair mais do lugar. Para completar a tela, um rio ladeia toda a propriedade, o que a transforma praticamente numa ilha, e os peixes representam a fartura do lugar.

Equipamento de pesca no carro, repelente e protetor solar na mochila, e começaram os exageros. Meus companheiros de pesca, um farmacêutico e um construtor, são pessoas acima de qualquer suspeita em seus respectivos campos profissionais, mas quando se trata de peixe, a coisa é bem diferente. Eles juraram de pés juntos que já tinham conseguido a façanha de pescar, nesse mesmo lugar descrito acima, mas de 300 lambaris em menos de 15 minutos. Não contentes com a mentira inicial, ainda aumentaram, dizendo que cada um deles havia pescado essa cota de 300. Duvidei, e pedi alguma prova disso, e foi onde a mentira ficou insustentável. Os peixes, num passe de mágica, desapareciam do samburá, o que impedia que a pescaria fosse comprovada.

A cara-de-pau dos dois foi tão grande, que o farmacêutico, descendente de japoneses, sorriu e soltou a seguinte pérola: “sei não, mas acho que os lambaris foram abduzidos por algum extraterrestre”.

Para encurtar a história e as mentiras que tive que engolir pelo percurso, chegamos à chácara e fomos quase imediatamente para a pescaria. Iscas prontas, anzóis na água, e uma constatação. A mentira não era tão exagerada assim. A quantidade de peixes era tão grande, que abandonei dois dos caniços que tinha armado e fiquei apenas com um, pois era impossível atender aos três, tamanha era a quantidade de peixes. Logicamente, aquele número de “300 peixes em 15 minutos” era um exagero, mas eu já estava quase perdoando as mentiras daqueles dois. Não demorou muito, e veio a segunda constatação. O sumiço dos peixes também era verdadeiro.

Do nada, meu samburá, que já estava com uns 35 ou 40 peixes, esvaziou. Furado talvez, ou quem sabe a malha era muito graúda e os peixes passavam através dela? Àquela altura, já não existia mais mentira, mas sim a minha irritação pelo fato de perder todos aqueles peixes. Foi quando algo me chamou a atenção. Um pouco mais adiante, entre algumas moitas, o capim se mexia freneticamente, e alguns barulhos começaram a se tornar mais intensos. Fui até lá e, meio de longe, tive uma grata surpresa. Um casal de lontras, com três filhotes, fazia a farra com meus peixes. Elas eram tão acostumadas com os pescadores, que nem ligaram para minha presença, e quando acabavam de comer o que tinham carregado para os filhotes, iam até o samburá e, com exímia habilidade, saíam com mais uma bocada de lambaris. Mas, se eu conto essa história para alguém, iriam me chamar de pescador mentiroso, e foi quando a maravilha da tecnologia moderna me salvou. A câmera do celular. Foram 10 minutos da mais bela filmagem, e a prova definitiva de que os pescadores podem até aumentar, mas não mentem.

image by Google
Só vai demorar um pouco para que eu possa colocar as imagens do vídeo aqui no blog. No meio da euforia entre a pescaria e as lontras, uma nuvem de mosquitos enormes nos atacou e me descuidei com o celular. Quando me dei conta, os mosquitos haviam levado com eles o meu celular. Uma pena. Mas dou minha palavra de que não tem exagero nessa história.


Marcio JR