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Os minutos passaram e ela, indefesa diante das lágrimas, lembrava dos pais, da velhice deles e de quanto ela os protegeu, até que a morte os levou. Todo um filme passou por seus olhos, desde menina até o derradeiro dia, naquele cemitério cinza e sem vida. Mas, como o tempo passa, e quem está vivo precisa continuar em sua jornada, remexeu mais no estojo. Fitas de seda, três delas, uma rosa e duas azuis. E aquilo era uma felicidade, pois era costume em sua família presentear os amigos com aquelas fitas sempre ao nascimento de um filho. E seus filhos eram lindos, hoje casados, e todos com filhos.
Suspirou. Que bela família ela tinha. Porém, sentia falta de alguém, do homem que escolheu para amar e dividir a vida até os últimos dias. Mas, ele fora primeiro, e sua falta ardia no peito. Ela iria logo, sabia disso, e enquanto não chegasse sua hora, lembraria dele em cada minuto. E assim, deitou-se. Esperou o sono lhe tomar, olhando para as paredes daquele asilo em que os filhos a haviam largado.
