terça-feira, 27 de setembro de 2022

INCERTEZAS DO UNIVERSO NOSSO DE CADA MANHÃ

 série EMPÍRICA MENTE

reedição


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Já parou pra pensar que o seu tudo não te deixa entender que você não é nada?

Talvez, se você quisesse me escutar,
eu te diria das minhas poucas verdades
e das minhas muitas ansiedades.
Então, você relutaria,
e dificilmente casaria suas verdades com as minhas.
Entregaria a um deus qualquer do destino
todos os seus medos e dedos tortos,
aqueles mesmos,
cansados que estão em apontar caminhos a esmo,
ou grotões e abismos por onde você tem se escondido.

Somos tão grandes aqui, não somos?
Mas não passamos de egos submissos de nossas vontades de grandeza,
e cada um desses egos,
arrulha trincas barulhentas das correntes que nos prendem.
Quer saber?
Essas correntes nos desaprendem a tal ponto,
que não percebemos nosso real tamanho.
Enormes aqui,
átomos de poeira na amplitude verdadeira.

Não, não somos uma besteira da criação,
mas nem em sonho somos o umbigo do planetário de um jardim celeste.
Somos, sim, parte de uma cadeia em expansão,
engrenagens parindo ações e reações,
onde o ritmo rangente e irritantemente cadente dessa roda viva
não nos deixa tempo nem opções para desatenção ou lamentação.

Somos poeira a mercê de um vento solar.
Ventania que se volta, reverte-se a ponto de apagar o próprio sol.
Caminhamos para um apagar das luzes da nossa casa/universo.

Você tem medo do escuro?

Marcio Rutes


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terça-feira, 20 de setembro de 2022

ISCA DE BEIJA-FLOR

image by google

re-edição

Quando beija-flor não beija, belisca,
toda cor vira isca
presa na casca da goiabeira.
É fruto de beira,
de ladeira, da menina olhando do lado de lá,
lá daquela cadeira,
com aquela risada dada de bobeira.
Um tribal ornando o olhar
o folhear e o rodopiar,
o requebrar do sorriso,
o vento batendo no umbigo,
arrepiando qualquer sentimento sentido,
consentido com um piscar das mãos
no cruzar dos dedos, que das pernas imitou.

 


E lá vai beija-flor,
que não beija, belisca.
Atiça esse dançar malicioso
na cintura dela,
da pele alva,
nos pés de cinderela.
E lá vai a menina,
dependurada na janela,
irrequieta, sapeca,
bicando igual passarinho,
bebericando a manhã de mansinho,
mas louca pra voltar pro ninho.

 

 

Marcio Rutes

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

É SETEMBRO LÁ FORA



Olha lá fora.
Tem chuva no telhado,
Tem barulho de goteira batucando na lata,
E tem um sorriso que desponta pelo horizonte.
Olha lá fora.
Tem um setembro florido,
Tem flor no vestido,
E tem magia no fim de tarde.
Olha lá fora.
Tem gotas cristalinas,
De uma felicidade novinha,
E tem um sorriso louco para vestir teus lábios.
Olha lá fora,
mas olha sempre para dentro também.
Pois a primavera
sempre desponta quando menos se espera,
E em terra fértil,
Sempre brotam as mais belas flores.
Então, veste teu sorriso mais belo,

E vai curtir a chuva, sem medo de se molhar.


Marcio Rutes



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